Nome de Guerra

Nome de Guerra é um romance de José de Almada Negreiros, do ano 1938,  no que o autor expõe como uma personagem nomeado Antunes começa o caminho para seu próprio descobrimento quando se afasta da vida provincial e se acerca à barulhosa vida citadina. Este escrito pretende analisar cómo foi essa descoberta, qual é a função da cidade no processo e qual é o resultado de sua viagem.

Antunes chega à cidade segundo as aspirações de seu tio. “O tio policiava de longe o crescimento masculino do sobrinho e a sua imaginação caía toda num resultado viril, à sua maneira regional” (De Almada, 2004, p. 11). A noção masculina vinha acompanhada da conquista de certa “projeção social” e claro, das aventura que com mulheres que procurassem sua virilidade. Desse jeito seria uma “semente infalível”. Seus primeiros encontros com a cidade ocorrem a traves duma prostituta; Judite. Inicialmente ele é indiferente com a nudez dela e logo ela o desafia lhe escarrando o rosto. Essa relação de poder faz que Antunes se mantenha pensando nela. Cada vez que ele saia do quarto e se enfrentava à cidade terminava na porta do clube. A Judite era o médio que lograva expor ele ao espaço público o que lograva que ele desconstruísse a formação que lhe foi imposta e assumir a própria. Como embeleceu Dias, n.d, “Antunes vai assim usar Judite como instrumento de aprendizagem.” Pomos corroborar isso com o texto: “A Judite não é gente, é uma pedra de toque, é um degrau, é a entrada, é a minha entrada na realidade”. (De Almada, 2004, p. 76)

Na cidade Antunes vive seu segundo nascimento. Como disse o autor: “A segunda vez que se nasce, assistisse ao próprio nascimento” (De Almada, 2004) O primeiro foi aquele do seio materno. Seio que teve que esquecer pela força da sociedade. Ao conhecer ela, ele perdia o medo. “Perder o medo era ganhar o conhecimento da vida” (De Almada, 2004, p. 38) Ele precisava dela para conhecer a vida e satisfazer seu desejo sexual. Quando se espelhava nela punha definir-se a se próprio. Ele como apresentante da civilização precisou da natureza, ela, para se distinguir. Ela é a natureza, uma mulher sem raciocínio ao margem das determinações dos homens. “Judite seria, para Antunes o conhecimento carnal, a transgressão à Lei; Maria a aceitação da imagem boa, mais agradável ao Pai e à Lei.” (Domingues) Judite foi a força que ele precisava para dar conta disto e se liberar de ambas. E importante ressaltar que ele ganhou essa definição segundo sua subjetividade. Depois de todo ele nunca teve acesso a verdadeira Judite, só a sua máscara.

Se tomamos conta da época do romance vemos como Antunes se parece com um dos principais heróis deste período; o flâneur. “E em Nome de Guerra a flânerie  é central para que Antunes descubra a sua nova vida.” (Cordeiro, n.d, p. 4) Ao principio ele ficava no quarto do hotel, jogando de esconde esconde consigo mesmo e com a multidão. Quando logra sair começa sua própria conquista. Mas foi independência ou liberdade mesmo? Evidentemente o saber prévio não fazia mais que aprisiona-lo. A cidade lhe permitiu, qual droga, adicionar-se a ela e esquecer da formação que só tinha logrado fazer dele um títere das aspirações sociais. A relação dele como o mercado lhe fez sentir maior autonomia mas para pode-la ter precisou dessa relação. E por isso que acho duvidosa a conquista.

“Com sua natureza essencialmente significante, a cidade é como um livro de ensinamentos  do qual não se aproveitam todas as verdades, mas apenas se recolhem aqueles poucos fragmentos definitivos e indispensáveis para não se poder mais viver de outra maneira.” (Margato, 1999, p. 245)

Ele teve que observar a multidão e relacionar-se com a mercadoria, mesmo que fosse ela o corpo duma mulher, para definir sua identidade e determinar ficar sozinho na vida. E foi este seu terceiro nascimento.

Referências

Cordeiro, I. (n.d). O Modernismo e a Figura da Prostituta em Nome de Guerra, de Almada Negreiros. Universidade de Porto rico e Instituto Camões.

De Almada, J. (2004). Nome de Guerra. Lisboa: Assírio & Alvim.

Domingues, J. (n.d.). Genealogia de un Nome de Guerra.

Margato, I. (1999). Quando é corpo na cidade. Via Atlantica , 3 (10).

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