Uma abelha na Chuva, de Carlos Oliveira e Fernando Lopes

O Filme

 

            O filme: Uma abelha na Chuva, de Fernando Lopes, se caracteriza pela estética  da abstração. Baseado no romance Una abelha na Chuva, de Carlos Oliveira, o filme logra conquistar uma grande autonomia entanto adjudica às imagens e paisagens, assim como efeitos de câmara, iluminação e edição, os sentimentos emergentes da leitura do texto junto com outros novos que emergem da experiência cinematográfica. Enquanto no romance Álvaro só olha uma vez para o retrato do sogro, no filme esta imagem se repete constantemente. O sentimento que lhe gera, de aspiração para um sangue nobre, embora supor pecados, é um elemento que determina suas ininterrompidas frustrações. Enquanto no romance Jacinto é o cocheiro sobre a égua, no filme há um quadro com um camponês e um equino. Toda vez que o filme faz visível uma relação de opressão aparece, estaticamente, a imagem do quadro. Isto nos convida para falar do filme como poema.

A traves duma cacofonia rítmica de imagens, sem parlamento ou narração, apela para esses sentimentos aos que só se tinham aceso ao ler o texto. O filme vai longe demais. Ele aumenta a intensidade dos sentimentos gerados quando corresponde as imagens estáticas e outras do pântano com as múltiplas instancias de opressão e de estanque na vida. Se aprecia, por outro lado, a sutilidade visual na cena em que a D. Maria se despe no se dormitório. O filme, embora seja abstrato, concretiza, a traves duma obra de teatro que não aparece no romance, conflitos difíceis de perceber no texto como são: os sentimentos de afogamento e frustração de D. Maria quando se identifica com a protagonista da obra e o jeito em que seu marido e Clara percebem essa identificação.

Outro elemento interessante nas duas obras é a relação dos casais; Álvaro e Maria, Clara e Jacinto. O primeiro casal se caracteriza por se um matrimônio oprimido e opressor, atado aos desejos das suas classes sociais e sem a possibilidade de ter um futuro produto da fusão de ambos interesses. O segundo casal, não casado, se caracteriza pela relação clandestina que permite aos namorados sua liberação, de seus sentimentos e pensares, assim como a possibilidade de futuro a traves da gravidez da Clara. A astucia deste ultimo casal lhes permite perceber a realidade do primeiro e quando verbalizam seu conhecimento se tornam vitimas de persecução e morte. D. Maria, embora numa posição de poder de classe, vivia oprimida como mulher e esta opressão se via reproduzida no trato que dava à égua. Si a égua representara às pessoas que trabalhavam para ela, então se pode apreciar a reprodução dessas frustrações de gênero na exploração da classe inferior. O contraste de ambos casais se caracteriza pelo poder que um deles têm sobre o outro, embora os poderosos sejam vitimas da sua própria autodestruição.

            O tempo é um recurso utilizado e percebido de forma distinta em ambas obras. No romance é o tempo, refletido a traves da agua y suas alheações, quem libera ou oprime às personagens. D. Maria leva um rio apodrecido na memoria; nenhuma peça de liberação se percebe no seu futuro. Clara namora ao Jacinto numa fonte donde a água flui livremente, mas não sempre naturalmente pois sãos os humanos quem a constroem e determinam a fluidez da agua. Os tempos das mulheres principais são distintos. O tempo de Clara sempre está subordinado à vontade de D. Maria e por isso a vida da primeira fica nas mãos da segunda. Frente à morte de Clara o romance apresenta aos trabalhadores protestando em contra dos padrões. Este avence em contra das classes sociais que os oprimem presenta a possibilidade de alguma ruptura no ritmo do tempo. A concepção do tempo é aquela na que os câmbios supõe as evoluções de um espiral que continua a crescer com novas etapas.

No filme o tempo é circular mas fechado. Ele culmina com o mesmo parlamento com que começa; os remorsos e o suicídio social de Álvaro. Nesse sentido é como se o tempo não sofrera alterações e como se a morte de Jacinto, não trouxera outras consequências. A vida da Clara continua. Esta abelha, embora na chuva, persiste. A pesar de que o filme não conclui com a opressão mortal do trabalhador, com a vida de Clara por exemplo, tampouco garantida sua evolução. Frente à repetição do confesso de Álvaro   a gente assume que as circunstâncias não se alterarão e que o tempo, a vida, continuara sem elementos inovadores.

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